Microtia e Reconstrução de Orelha: A História de Cecília e a Excelência do Hospital Sobrapar

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Microtia e Reconstrução de Orelha: A História de Cecília e a Excelência do Hospital Sobrapar

 A microtia é uma malformação congênita da orelha externa que afeta cerca de 1 em cada 8.000 nascidos no Brasil. O tratamento de referência, como o realizado no Hospital Sobrapar em Campinas, envolve a reconstrução auricular em três etapas utilizando cartilagem da própria costela do paciente, geralmente indicada a partir dos 10 anos de idade.

A Jornada de Cecília: Superação e Reconstrução em Salto (SP)

A trajetória de Cecília, uma estudante de 17 anos residente em Salto, interior de São Paulo, exemplifica o impacto psicossocial da microtia unilateral. Além da malformação na orelha externa (pina), Cecília enfrentou desafios na mandíbula causados pela ausência de parte da estrutura óssea.

Desde o nascimento, ela foi acompanhada pelo Hospital Sobrapar, centro de referência nacional em anomalias craniofaciais. “Aos 10 anos, iniciou a reconstrução da orelha em três etapas. Cada fase foi dura, mas mostrou a força da Cecília”, relata sua mãe, Ana Lúcia Paixão. Para Cecília, a conquista reflete-se na liberdade cotidiana: “Agora consigo usar óculos e tiara e colocar o cabelo atrás da orelha”.

O que é Microtia e quais são seus graus?

A microtia é uma condição rara onde a orelha externa é subdesenvolvida ou ausente. Ela ocorre com mais frequência em meninos e no lado direito da face. A classificação técnica (Weerda-Aguilar) divide a gravidade em quatro níveis:

  • Grau I: Orelha menor, mas com estruturas identificáveis.
  • Grau II: Presença de algumas características reconhecíveis, muitas vezes com estenose do canal auditivo.
  • Grau III: Forma mais comum; apenas um resquício de tecido (orelha “em amendoim”) e ausência de canal auditivo (atresia aural).
  • Grau IV (Anotia): Ausência total da orelha externa e do canal auditivo.

Leia mais em: https://sobrapar.org.br/artigos/malformacao-congenita-nas-orelhas-conheca-os-tratamentos/

Como funciona a cirurgia de reconstrução auricular no Hospital Sobrapar?

O Hospital Sobrapar utiliza técnicas de vanguarda baseadas no método da cirurgiã francesa Françoise Firmin, sob a liderança do Dr. Cesar Augusto Raposo do Amaral. A abordagem padrão-ouro é a reconstrução com cartilagem costal autóloga (do próprio paciente).

As 3 Etapas do Tratamento Cirúrgico:

  1. Primeiro Tempo: Reconstrução da estrutura base da orelha com o molde de cartilagem.
  2. Segundo Tempo (após 6 meses): Projeção da orelha em relação ao crânio.
  3. Terceiro Tempo: Criação do sulco atrás da orelha (retroauricular) para um aspecto natural.

Qual a idade ideal para a cirurgia? 

A recomendação técnica do Sobrapar é que a cirurgia ocorra a partir dos 10 anos de idade. Esse critério garante que a cartilagem da costela tenha volume suficiente para esculpir a nova orelha com segurança e precisão.

A Microtia afeta a audição?

Sim, em muitos casos. Cerca de 80-90% dos pacientes possuem o ouvido interno preservado, mas enfrentam uma perda auditiva condutiva devido à ausência do canal auditivo. Nesses casos, o uso de aparelhos de condução óssea ou próteses osteoancoradas pode ser indicado para reabilitação auditiva plena.