Mitos e Verdades sobre Lábio Leporino (Fissura Labiopalatina)

8 min de leitura

A fissura labiopalatina é uma malformação congênita multifatorial que impacta funções vitais, como alimentação e fala, além da estética. Não prejudica o desenvolvimento cognitivo e é tratável com acompanhamento multidisciplinar desde o nascimento até a idade adulta. Com intervenções adequadas, é possível a reabilitação e qualidade de vida para o paciente

Mitos e Verdades sobre Lábio Leporino (Fissura Labiopalatina)

As fissuras faciais são um assunto complexo que, por falta de informação correta, gera muitas dúvidas e a disseminação de boatos prejudiciais.

Ao descobrir que o filho nascerá com alguma anomalia craniofacial, é natural que os pais busquem respostas na internet. Infelizmente, a desinformação pode assustar as famílias e alimentar preconceitos contra os pacientes, que jamais deveriam passar por qualquer tipo de discriminação.

Por isso, nós do Hospital Sobrapar, instituição referência nacional em deformidades craniofaciais, preparamos este guia definitivo. Nosso objetivo é esclarecer o que é mito e o que é verdade, trazendo acolhimento e mostrando que crianças nascidas com essa condição podem ser totalmente reabilitadas e desfrutar de uma excelente qualidade de vida.

O que é a fissura labiopalatina (lábio leporino)?

O termo popular “lábio leporino”, popularmente é usado para se referir a casos de fissura labiopalatina, uma malformação congênita que se desenvolve nas primeiras semanas de gestação. Ela é caracterizada por uma abertura (descontinuidade) no lábio, no palato (céu da boca) ou em ambos.

Essa condição afeta cerca de 1 a cada 650 nascimentos no Brasil. Não existe um padrão único para a anomalia: as fissuras variam em tamanho e localização, podendo ser unilaterais (de um lado só) ou bilaterais (dos dois lados). Embora possa ocorrer de forma isolada, ela também pode fazer parte de síndromes genéticas mais amplas.

Diferente do que muitos pensam, o impacto não é apenas estético. A fissura labiopalatina pode comprometer funções vitais da criança, como a sucção (amamentação), a mastigação, a audição, o desenvolvimento da dentição e a fala.

Como as fissuras faciais são formadas e quais as causas?

O período embrionário é altamente complexo. Durante as primeiras 12 semanas de gravidez, as estruturas que formam a face do bebê e o céu da boca (suturas) começam separadas e vão se unindo gradativamente. Quando ocorre uma falha nesse processo de fusão, a fenda permanece aberta, originando o lábio leporino ou a fenda palatina.

A medicina divide as causas dessa “falha” em dois grandes grupos:

  • Fatores Ambientais: Incluem o estado nutricional da gestante (como a falta de ácido fólico), o uso de medicamentos sem orientação médica, a exposição a radiações, infecções maternas no primeiro trimestre e o consumo de substâncias como cigarro e álcool durante a gravidez.
  • Causas Genéticas: Refletem a predisposição familiar. No entanto, é importante destacar que a fissura raramente é uma condição puramente genética; na maioria das vezes, ela resulta da combinação da genética com os fatores ambientais (herança multifatorial).

Diagnóstico e a Linha do Tempo do Tratamento

O diagnóstico pode ser feito de forma rápida e segura ainda no pré-natal, por meio do ultrassom morfológico, a partir da 22ª semana de gestação. Descobrir a condição antes do parto é fundamental para que os pais recebam acolhimento psicológico e se preparem para as etapas do tratamento.

Contudo, é importante lembrar que o ultrassom é um exame operador dependente, isto é, depende da experiência de quem está realizando o exame, e a posição do feto na barriga da mãe pode atrapalhar o diagnóstico.

Após o nascimento, o plano de reabilitação é iniciado imediatamente por uma equipe multidisciplinar. O tratamento é longo e exige paciência — podendo se estender até os 18 ou 21 anos de idade. 

A linha do tempo cirúrgica padrão segue os seguintes marcos:

  • A partir dos 3 meses de vida: É realizada a queiloplastia (cirurgia para o fechamento do lábio, sendo necessário que o bebê tenha alcançado pelo menos 5 Kg) e a reconstrução do assoalho nasal.
  • A partir de 1 ano de vida: É realizada a palatoplastia (cirurgia para o fechamento do céu da boca, sendo necessário que o bebê tenha alcançado pelo menos 10 Kg), essencial para o desenvolvimento correto da fala e da alimentação sólida.
  • Ao longo do crescimento: O paciente recebe o suporte contínuo de fonoaudiólogos, ortodontistas, psicólogos, cirurgiões plásticos e otorrinolaringologistas.

Mitos e Verdades sobre a Fissura Labiopalatina

Para facilitar o entendimento e combater a desinformação, organizamos as principais dúvidas e afirmações comuns sobre o tema.

Afirmação Classificação A Realidade Médica
O lábio leporino afeta apenas a estética do rosto. MITO A condição interfere diretamente em funções como a amamentação, a respiração, a audição, a arcada dentária e o desenvolvimento da fala.
A fissura labiopalatina prejudica a inteligência da criança. MITO A malformação é estritamente anatômica e localizada na região bucomaxilofacial. Ela não possui qualquer relação com o desenvolvimento cognitivo ou intelectual do bebê.
Hábitos da mãe na gestação (como cigarro e álcool) aumentam o risco. VERDADE O tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas na gravidez são fatores ambientais comprovados que elevam as chances de má formação facial no feto.
A fissura é uma doença exclusivamente genética e hereditária. MITO Trata-se de uma condição multifatorial. Um casal sem nenhum histórico familiar de fissuras pode ter um filho com a condição devido a fatores ambientais.
Crianças que nascem com essa condição nunca terão uma vida normal. MITO Com o tratamento adequado e o acompanhamento multiprofissional, o paciente é reabilitado, podendo estudar, trabalhar e ter qualidade de vida.
As cirurgias de correção são extremamente perigosas e demoradas. MITO Embora exijam a perícia de um cirurgião plástico especializado, as cirurgias primárias (lábio e palato) são procedimentos hospitalares seguros.
O tratamento completo de reabilitação pode durar até a idade adulta. VERDADE O acompanhamento deve acompanhar o crescimento ósseo da face da criança, sendo comum o suporte ortodôntico e fonoaudiológico até o final da adolescência.

Ficou com alguma dúvida ou precisa de apoio especializado para tratamento de fissura labiopalatina?

O diagnóstico de fissura labiopalatina não deve ser motivo de desespero. O Hospital Sobrapar conta com uma equipe altamente qualificada e infraestrutura completa para acolher a sua família e transformar a vida do seu filho desde os primeiros meses.

Leia mais sobre a atuação do Sobrapar em Tratamentos de Fissuras Labiopalatinas