Tratamento para Trauma da Face

Tratamento para Trauma da Face

Trauma de Face: Lesões e Tratamentos

O trauma de face compreende ferimentos físicos que atingem a pele, tecidos moles (gordura e músculos), nervos e a estrutura óssea craniofacial. Ao contrário das anomalias craniofaciais congênitas, esses ferimentos físicos na maioria das vezes estão associados a acidentes e em m casos graves, estas lesões podem estar associadas a danos neurológicos e funcionais severos.

principais estruturas oddeas craniofaciais afetadas no trauma facial

Características do trauma de face

As características do trauma no maxilar variam conforme a energia do impacto. Elas podem ser classificadas em lesões de partes moles (cortes e contusões) ou fraturas ósseas. Os sinais clínicos mais comuns incluem edema (inchaço), equimose (manchas roxas), deformidades visíveis, assimetria facial e perda de função (como dificuldade em enxergar ou mastigar).

Anatomia do trauma de face

A face é dividida anatomicamente em três terços para avaliação clínica:

  • Terço Superior: Osso frontal e seios frontais.
  • Terço Médio: Ossos nasais, zigomáticos (maçãs do rosto), maxila e órbitas.
  • Terço Inferior: Mandíbula.
    Compreender essa divisão é essencial para o cirurgião determinar a complexidade da reconstrução necessária.

Avaliação inicial

A avaliação inicial de um paciente com trauma de face segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support). O foco principal é a manutenção das vias aéreas, que podem ser obstruídas por fragmentos ósseos ou sangue, seguida pelo controle de hemorragias e estabilização neurológica antes da avaliação específica das fraturas.

Trauma ocular e de órbita

O trauma ocular ocorre quando o impacto atinge a cavidade orbitária. Pode resultar em enoftalmia (olho afundado) ou diplopia (visão dupla). Fraturas do assoalho da órbita (conhecidas como blow-out) são comuns e podem aprisionar os músculos oculares, exigindo intervenção cirúrgica urgente.

Trauma nasal

Sendo a estrutura mais proeminente do rosto, o nariz é o osso mais frequentemente fraturado. O trauma nasal pode causar desvio de septo, dificuldades respiratórias e deformidade estética. A avaliação deve descartar o hematoma de septo, que requer drenagem imediata para evitar necrose da cartilagem.

Trauma de mandíbula

O trauma de mandíbula é caracterizado pela perda do alinhamento dentário (má oclusão), dor intensa ao movimentar a boca e, por vezes, dormência no lábio inferior. Por ser um osso em formato de “U”, é comum que uma fratura em um lado resulte em uma segunda fratura no lado oposto ou na articulação (condilo).

Trauma em Terço Médio da Face: Uma Visão Detalhada

O trauma do terço médio da face é de grande complexidade e importância clínica, pois envolve estruturas ósseas cruciais como a maxila e os ossos zigomáticos (maçã do rosto). Esta região é fundamental tanto para a estética e projeção facial quanto para a funcionalidade do sistema mastigatório e a proteção de órgãos sensoriais vitais, como o globo ocular.Classificação e Estruturas Envolvidas

As fraturas nesta área são classicamente e frequentemente categorizadas de acordo com o sistema de Le Fort, que descreve linhas de fratura bilaterais e simétricas, indicando o nível de desprendimento do complexo maxilo-facial em relação à base do crânio. Essa classificação é essencial para o planejamento cirúrgico e o prognóstico:

  • Le Fort I (Transversal ou Horizontal): Considerada a fratura de Le Fort de menor gravidade. A linha de fratura passa horizontalmente acima do palato duro, separando a porção alveolar da maxila (onde se encontram os dentes superiores) do restante do esqueleto facial. Afeta primariamente a oclusão e a mastigação.
  • Le Fort II (Piramidal): Uma fratura mais extensa, com formato triangular ou piramidal. A linha de fratura começa na sutura nasofrontal, passa pela ponte nasal, desce pelas paredes mediais das órbitas, atravessa o assoalho orbital e se estende posterior e lateralmente através das paredes laterais da maxila, acima dos ápices dentários. Envolve o complexo naso-órbito-etmoidal (NOE) e pode comprometer o sistema de drenagem lacrimal.
  • Le Fort III (Disjunção Craniofacial): Representa o tipo de fratura mais grave, caracterizada pela completa separação do esqueleto facial da base do crânio. A linha de fratura percorre a sutura nasofrontal, as paredes mediais e laterais da órbita, e atravessa o arco zigomático. É uma lesão de alto impacto que compromete a proteção do globo ocular e pode estar associada a lesões intracranianas, exigindo avaliação neurocirúrgica imediata.

Implicações Clínicas e Funcionais

As fraturas do terço médio da face são mais do que simples rupturas ósseas; são lesões complexas com profundas consequências funcionais e estéticas:

  1. Mastigação e Oclusão: A integridade da maxila é crucial para a articulação correta com a mandíbula (oclusão). O desprendimento ou deslocamento maxilar (comum nas fraturas Le Fort) leva a má oclusão, dor e incapacidade de mastigar adequadamente.
  2. Projeção Facial e Estética: O osso zigomático é o principal determinante da projeção e contorno da face (a proeminência da bochecha). Fraturas zigomáticas (frequentemente classificadas separadamente como fraturas ZMC – ZigoMático Complex) resultam em achatamento facial, assimetria, e podem afetar a largura da face.
  3. Proteção e Função Ocular: O teto e o assoalho da órbita (cavidade que aloja o olho) são formados por partes da maxila e do zigoma. Fraturas nesta região podem causar:
    • Diplopia (visão dupla): Devido ao aprisionamento dos músculos extraoculares.
    • Enoftalmia: O deslocamento posterior do globo ocular.
    • Comprometimento da Visão: Em casos de lesão direta ou indireta do nervo óptico.

O tratamento dessas lesões exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo cirurgiões bucomaxilofaciais e, frequentemente, neurocirurgiões, otorrinolaringologistas e oftalmologistas, com o objetivo final de restaurar a função mastigatória, a oclusão dentária e a harmonia facial.

Diagnóstico e Sintomas Comuns

Muitos traumas na face ficam evidentes imediatamente, porém, alguns apresentam sinais sutis. Fique atento a:

  • Dificuldade no encaixe dos dentes (alteração da mordida);
  • Visão dupla ou limitação do movimento do olhar;
  • Dificuldade para abrir ou fechar a boca;
  • Perda de sensibilidade em áreas da pele (parestesia).

Sugestão de Imagem 3: Foto de um exame de Tomografia Computadorizada 3D mostrando uma fratura facial real. Legenda: O planejamento virtual 3D é essencial para o sucesso da cirurgia.

Como tratar o trauma facial?

As fraturas de face podem ser tratadas de duas formas:

  1. Tratamento Conservador: Observação e dieta macia em fraturas sem desvio.
  2. Tratamento Cirúrgico: Utilizado em casos graves para fixação e alinhamento dos ossos com placas e parafusos de titânio.

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações como dor crônica, infecções e deformidades permanentes.

Diferenciais do Hospital SOBRAPAR

O Hospital SOBRAPAR – Crânio e Face, em Campinas/SP, é referência nacional em cirurgia plástica reconstrutora. Utilizamos tecnologia de planejamento virtual tridimensional, que permite simular a cirurgia antes mesmo de entrar no centro cirúrgico, garantindo maior precisão nos resultados estéticos e funcionais.

Dúvidas Frequentes – FAQ

É qualquer ferimento físico que atinja a região facial, podendo afetar tecidos moles (pele e músculos), nervos e a estrutura óssea (mandíbula, nariz, órbitas e maxilar).

Os principais sintomas incluem inchaço (edema), hematomas ao redor dos olhos, dificuldade para abrir a boca, dormência na pele, visão dupla e alteração na “mordida” (os dentes não se encaixam mais).

O tratamento é geralmente realizado por uma equipe interdisciplinar liderada pelo Cirurgião Plástico ou pelo Cirurgião Bucomaxilofacial, especialistas na reconstrução funcional e estética da face.

A dormência (parestesia) sugere que um nervo sensitivo foi comprimido ou lesionado, frequentemente associado a fraturas no osso zigomático ou na mandíbula. É um sinal que exige avaliação imediata.

A fratura nasal é a mais frequente, devido à posição proeminente e à fragilidade dos ossos próprios do nariz.

Além do exame clínico, o padrão-ouro é a Tomografia Computadorizada de Face (3D), que permite visualizar a extensão das fissuras e planejar a reconstrução óssea com precisão.

Não. Fraturas sem desvio ou que não afetam a função (como mastigação ou visão) podem ser tratadas com observação e dieta macia. A cirurgia é reservada para restaurar a anatomia e a função.

O procedimento envolve a redução (colocar o osso no lugar) e a fixação interna rígida, utilizando miniplacas e parafusos de titânio, que são biocompatíveis e raramente precisam ser removidos.

Sempre que possível, o cirurgião utiliza acessos internos (por dentro da boca ou pálpebras) para que as cicatrizes fiquem invisíveis. Em cortes externos, utilizam-se técnicas de cirurgia plástica para minimizar as marcas.

O tempo de cicatrização óssea inicial é de cerca de 4 a 6 semanas. O retorno às atividades leves ocorre em 15 dias, mas esportes de contato devem ser evitados por pelo menos 3 meses.

É uma classificação para fraturas graves que desprendem parte do terço médio da face da base do crânio. Elas são divididas em níveis I, II e III, dependendo da extensão do trauma.

Não é recomendado. Se houver uma fratura nos seios da face ou na órbita, a pressão do ar pode causar um enfisema subcutâneo (ar sob a pele) ou empurrar bactérias para áreas protegidas.

As sequelas podem incluir assimetria facial permanente, dor crônica na ATM, dificuldade para respirar, visão dupla constante ou má oclusão dentária.

O Sobrapar é referência em cirurgia reconstrutora. Casos de trauma agudo com risco de vida devem primeiro ser estabilizados em prontos-socorros de trauma (como o HC da Unicamp), para posterior reabilitação especializada conosco.

Sim, mas a anatomia infantil é diferente. Os ossos são mais elásticos, o que pode gerar fraturas em “galho verde” (o osso dobra mas não quebra totalmente). O tratamento deve considerar o crescimento dos dentes e dos ossos da face.