Síndrome de Apert

O Sobrapar é referência nacional especializada no manejo cirúrgico da Síndrome de Apert, e oferece reabilitação multidisciplinar para anomalias craniofaciais congênitas. A atuação assistencial engloba desde a expansão craniana precoce até a correção das mãos e pés, assegurando suporte neurocognitivo contínuo aos pacientes.

Características da Síndrome de Apert

A Síndrome de Apert apresenta um amplo espectro fenotípico que afeta o esqueleto craniofacial e as extremidades do corpo de forma independente.

Foi inicialmente descrita por Wheaton em 1894 e posteriormente revisada por Apert, um médico francês, em 1906. É considerada uma cranioestenose sindrômica rara que afeta aproximadamente 1 em cada 65.000 a 88.000 nascidos vivos 

O quadro exige diagnóstico preciso para o mapeamento das seguintes deformidades estruturais:

  • Fusão Craniana Precoce: A condição provoca o fechamento antecipado das suturas cranianas. Este bloqueio ósseo impede o crescimento cerebral natural e gera uma cabeça de formato cônico com acentuada proeminência frontal.

  • Polissindactilia Complexa: A síndrome causa a fusão anômala dos tecidos e ossos dos dedos das mãos e dos pés. A gravidade varia de quadros leves a bloqueios completos que impedem a motricidade.
  • Hipoplasia Maxilar e Facial: Os pacientes com Síndrome de Apert apresentam exoftalmia (olhos protuberantes) e face posteriorizada devido ao subdesenvolvimento do terço médio facial. Estas alterações estruturais impactam diretamente as funções vitais de respiração, mastigação e deglutição.
  • Comprometimento Neurocognitivo: A restrição severa do espaço intracraniano afeta o desenvolvimento fisiológico do sistema nervoso central. A ausência de descompressão cirúrgica resulta em atraso motor, déficit cognitivo e deficiência intelectual em graus variados.

Tratamento da Síndrome de Apert: Jornada Clínica e Cirúrgica 

O protocolo assistencial exige múltiplas intervenções cirúrgicas e acompanhamento clínico contínuo desde o nascimento até a idade adulta do paciente. Esta abordagem especializada garante a descompressão estrutural do cérebro e a restauração da funcionalidade motora.

  • Cirurgia Craniana Precoce: A intervenção estrutural ocorre nos primeiros anos de vida e com o peso adequado para tratar a cranioestenose. O procedimento evita o comprometimento neurocognitivo e cria o espaço físico necessário para o desenvolvimento cerebral.
  • Avanço Crânio Facial em Monobloco: A cirurgia de expansão facial é executada por via intracraniana por volta dos nove anos de idade. O procedimento utiliza aparelhos distratores não cobertos pelo SUS para aumentar o espaço aéreo posterior e melhorar a projeção dos olhos.
  • Correção de Polissindactilia: A cirurgia da Polissindactilia faz a separação anatômica dos ossos fundidos de forma anômala nas mãos e nos pés. A intervenção restaura progressivamente a mobilidade funcional, permitindo a independência motora do paciente.
  • Reabilitação Multidisciplinar e Contínua: O acompanhamento hospitalar engloba serviços integrados de fonoaudiologia, fisioterapia, ortodontia e suporte psicológico. A equipe médica gerencia cirurgias sequenciais que podem alcançar até 59 procedimentos hospitalares ao longo da vida do indivíduo afetado.

Cronograma de Cirurgias e Fases Clínicas de Atendimento

Fase ClínicaIdade AlvoProcedimento CirúrgicoObjetivo Clínico
Fase InicialMenos de 1 anoAvanço Fronto-Orbital / PosteriorDescompressão cerebral imediata e prevenção de danos neurocognitivos.
Fase IntermediáriaIdade Precoce / VariávelCorreção de PolissindactiliaSeparação dos dedos fundidos para restaurar a motricidade fina e de locomoção.
Fase AvançadaAproximadamente 9 anosAvanço Crânio Facial em MonoblocoAumento do espaço aéreo posterior e projeção anatômica das órbitas oculares.
Manutenção ContínuaPor toda a vidaAtendimento Multidisciplinar ContínuoAté 59 procedimentos integrando fonoaudiologia, odontologia e psicologia.

*Obs: Todo tratamento é individualizado de acordo com as necessidades e o quadro clínico de cada paciente.

Referência e Tradição do Hospital SOBRAPAR no Tratamento das Cranioestenoses

Fundado em 1979, o Hospital SOBRAPAR acumula 47 anos de experiência e mais de 20 mil pacientes assistidos. A instituição realiza 58 mil atendimentos multidisciplinares e 1.200 cirurgias anualmente, operando um complexo com 19 leitos, 3 salas cirúrgicas e UTI pediátrica. O corpo clínico interdisciplinar possui formação em centros globais como NYU, UCLA e o serviço do Prof. Tessier, em Paris.

A autoridade científica do hospital é respaldada por mais de 160 artigos indexados no PubMed e SciELO, Prêmios Silvio Zanini e Ivo Pitanguy da SBCP, além de programa de Residência Médica credenciado pelo MEC, SBCP e ABCCMF. A governança da entidade, portadora do CEBAS-Saúde e parceria com a Smile Train, opera com transparência fiscal monitorada pelos conselhos do SUS e CMDCA, financiada por doações e pelo Bazar SOBRAPAR.

Síndrome de Apert: Quadro Clínico, Classificação e Riscos da Condição 

Região AnatômicaCaracterística Clínica PrincipalRisco ou Impacto Funcional
CrânioCranioestenose com acrocefalia e fronte proeminenteAumento severo da pressão intracraniana, atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual.
FaceExoftalmia pronunciada e face posteriorizadaDificuldades respiratórias, problemas de mastigação e graves falhas de deglutição.
Mãos e PésPolissindactilia com variados graus de fusão ósseaPerda severa da independência motora fina e restrições estruturais de locomoção.
Quadro GeralExpressão fenotípica complexa e dependência tecnológicaRisco de estigma social crônico e necessidade de uso de aparelhos distratores de alto custo.

*Obs: Todo tratamento é individualizado de acordo com as necessidades e o quadro clínico de cada paciente.

O Que Causa a Síndrome de Apert? Entenda a Genética e o Diagnóstico

A Síndrome de Apert é uma condição genética rara, e, ao contrário do que muitas fontes desatualizadas afirmam, sua causa exata é cientificamente conhecida. Ela ocorre devido a uma mutação no gene FGFR2 (Receptor 2 do Fator de Crescimento de Fibroblastos), que acontece logo nas primeiras fases da gestação.

Esse gene funciona como um “sinalizador” para as células ósseas. Quando sofre a mutação, ele envia sinais acelerados, fazendo com que os ossos se unam antes do tempo adequado. Essa interrupção no desenvolvimento normal resulta nas características clássicas da síndrome:

  • Craniossinostose: Fusão prematura das suturas do crânio do bebê (como as suturas coronais). Isso impede o crescimento normal da cabeça e pode gerar pressão no cérebro, exigindo avaliação especializada.
  • Sindactilia: Fusão ou união dos dedos das mãos e dos pés, que podem nascer “colados” (tecidos moles ou até mesmo os ossos).
  • Alterações Faciais: O subdesenvolvimento do terço médio da face, que pode afetar a respiração e a visão.

Hereditariedade: Como a síndrome é transmitida?

A alteração no gene FGFR2 (o mesmo envolvido nas síndromes de Crouzon e Pfeiffer) pode surgir de duas formas:

  • Mutação Nova (Esporádica): Em quase todos os casos, a síndrome de Apert ocorre em famílias sem nenhum histórico prévio da doença. É uma mutação de novo, frequentemente associada à idade paterna avançada.
  • Hereditária: O gene possui herança autossômica dominante. Isso significa que, se um dos pais tem a Síndrome de Apert, existe 50% de chance de transmiti-la para o filho a cada gestação.

Perguntas Frequentes sobre Síndrome de Apert

O esclarecimento técnico das dúvidas clínicas orienta as famílias sobre as complexas etapas cirúrgicas e protege o desenvolvimento fisiológico dos pacientes.

A Síndrome de Apert é uma anomalia genética rara, afetando cerca de 1 em 65.000 a 88.000 nascidos vivos, que causa a fusão precoce das suturas cranianas e a união dos dedos, conhecida como polissindactilia. 

A equipe médica do Hospital SOBRAPAR realiza o manejo integrado desta doença cranioestenose sindrômica, mitigando falhas respiratórias graves e protegendo o desenvolvimento neurocognitivo.

O diagnóstico clínico ocorre frequentemente logo após o nascimento, mediante a observação física direta da acrocefalia cônica, da exoftalmia acentuada e da sindactilia severa presente nas extremidades superiores e inferiores da criança recém-nascida.

 O corpo clínico do Hospital SOBRAPAR executa a avaliação inicial detalhada nestes cenários, planejando a sequência exata de cirurgias reconstrutivas cranianas e periféricas.

A primeira cirurgia craniana deve ser realizada obrigatoriamente antes do primeiro ano de idade para permitir a expansão adequada do cérebro em crescimento e evitar a perigosa hipertensão intracraniana limitante. O Hospital SOBRAPAR executa o avanço fronto-orbital anterior ou o avanço craniano posterior com suporte intensivo na sua Unidade de Terapia Intensiva pediátrica.

A apresentação clínica varia amplamente, englobando desde graus leves até formas severas de fusão das suturas coronais, sagitais e da base craniana, além da completa fusão óssea das mãos e dos pés.

O planejamento cirúrgico do Hospital SOBRAPAR adapta o sequenciamento de intervenções, priorizando o crânio em bloqueios severos ou as mãos em quadros limitantes de mobilidade.

A fusão craniana precoce compromete o espaço vital para o desenvolvimento neurocognitivo, gerando diferentes graus de deficiência intelectual crônica caso a descompressão cirúrgica não seja executada de maneira rápida. 

Os especialistas do Hospital SOBRAPAR atuam ativamente no ganho de volume intracraniano, viabilizando a proteção das funções neurológicas e o crescimento saudável do sistema nervoso central.

O acompanhamento fonoaudiológico atua na correção direta das funções vitais de respiração, mastigação e deglutição, além de adequar a articulação da fala prejudicada pela severa hipoplasia do terço médio facial. 

O programa contínuo de reabilitação do Hospital SOBRAPAR integra terapias de longo prazo para garantir o desenvolvimento fonético e a alimentação segura do paciente.

A intervenção ortodôntica corrige a mordida cruzada e as assimetrias maxilares graves resultantes do subdesenvolvimento facial, preparando a estrutura óssea de forma segura para os procedimentos cirúrgicos de avanço. 

O Hospital SOBRAPAR incorpora a odontologia antes e depois da cirurgia de monobloco, utilizando aparelhos distratores para assegurar a oclusão dentária funcional definitiva.

O suporte psicológico contínuo auxilia os pacientes e seus familiares a enfrentar o estigma social provocado pelas deformidades faciais evidentes e a tolerar a pesada carga emocional das múltiplas internações prolongadas. 

A equipe do Hospital SOBRAPAR fornece suporte psicossocial constante e multidisciplinar, focando na resiliência mental e na reintegração social plena de indivíduos de todas as idades.

A síndrome é transmitida por um padrão de herança autossômica dominante, gerando um risco direto de 50% de recorrência nas gestações futuras de indivíduos já afetados pela mutação genética específica causadora da doença. 

O Hospital SOBRAPAR oferece suporte e aconselhamento genético profissional para informar as famílias rigorosamente sobre o planejamento reprodutivo.

O acesso ao tratamento cirúrgico e multidisciplinar de forma totalmente gratuita ocorre mediante o encaminhamento oficial da rede pública de saúde, seguido de uma triagem clínica rigorosa que define as prioridades de intervenção médica na instituição. 

O Hospital SOBRAPAR subsidia as despesas e os aparelhos distratores de alto custo por meio de parceiros e recursos arrecadados no Bazar SOBRAPAR.