A Síndrome de Apert é uma rara síndrome craniofacial, com características clínicas variadas, apresentando amplo espectro clínico e variada expressão fenotípica.  Primeiramente descrita por Wheaton em 1894 e, posteriormente, revisada por Apert, médico francês, em 1906, é caracterizada por deformidade facial importante e polissindactilia, com fusão congênita dos dedos das mãos e pés que pode variar de leve a grave. Há também fusão precoce das suturas cranianas e faciais, situação clínica em que a cabeça assume formato cônico, com a fronte proeminente. A síndrome acomete o esqueleto craniofacial, mãos e pés de maneira independente.

O paciente apresenta cabeça grande, olhos saltados e face posteriorizada, repercutindo na função neurocognitiva, já que as suturas de crânio e face estão fechadas, e também na respiração, mastigação e deglutição. O ideal é que a criança seja encaminhada ao Hospital Sobrapar logo após o nascimento, sendo que a primeira cirurgia (em torno de três meses de idade) é feita nas mãos. Aos seis meses, ocorre a cirurgia de crânio e, na sequencia, aos nove e doze meses, outras intervenções nas mãos.

Frequentemente, os pacientes com a síndrome apresentam graus variados de atraso do desenvolvimento, déficit cognitivo e deficiência intelectual.

O tratamento dos pacientes com síndrome de Apert é complexo, pois envolve cirurgias na cabeça em idade precoce, no terço médio da face, no ouvido, palato, mãos e pés. A quantidade de cirurgias e a sequencia das mesmas depende da gravidade de cada apresentação clínica. Quando o crânio apresenta-se muito fechado (fusão das suturas coronais, sagitais e base do crânio) com inúmeras fusões das suturas cranianas, a cirurgia se inicia pelo crânio. No entanto, quando as mãos apresentam-se com todos os ossos fundidos, a cirurgia inicia-se pela separação dos dedos das mãos.